terça-feira, 9 de agosto de 2011

Use isso em seu cotidiano.. vale a pena!


Estratégias mentais


1-                               Pense sempre, de forma positiva. Toda vez que um pensamento negativo vier à sua cabeça, troque-o por outro! Para isso, é preciso muita disciplina mental. Você não adquire isso do dia pra noite; assim como um “atleta”, treine muito.
2-                               Não tenha medo de nada e ninguém. O medo é uma das maiores causas de nossas perturbações interiores. Tenha fé em você mesmo. Sentir medo é acreditar que os outros são poderosos. Não dê poder ao próximo.
3-                               Não se queixe. Quando você reclama, tal como um imã, você atrai para si toda a carga negativa de suas próprias palavras. A maioria das coisas que acabam dando errado começa a se materializar quando lamentamos.
4-                               Risque a palavra “culpa” do seu dicionário. Não se permita esta sensação, pois quando nos punimos, abrimos nossa retaguarda para espíritos opressores e agressores, que vibram com a nossa melancolia. Ignore-os
5-                               Não deixe que interferências externas tumultuem o seu cotidiano. Livre-se de fofocas, comentários maldosos e gente deprimida. Isto é contagioso. Seja positivo com quem presta. Sintonize com gente positiva e alto Astral.
6-                               Não se aborreça com facilidade e nem dê importância às pequenas coisas. Quando nos irritamos, envenenamos nosso corpo e nossa mente. Procure conviver com serenidade e quando estiver com vontade de explodir conte até dez.
7-                               Viva o presente. O ansioso vive no futuro. O rancoroso vive no passado. Aproveite o aqui e agora. Nada se repete tudo passa. Faça o seu dia valer à pena. Não perca tempo com melindres e preocupações, pois só trazem doenças.

LEMBRE-SE

1-                               A água purifica. Sempre que puder vá à praia, rio ou cachoeira. Em casa, enquanto toma banho, embaixo do chuveiro, de olhos fechados, imagine seu cansaço físico e mental e que toda a carga negativa esta indo embora por água abaixo.
2-                               Ande descalço quando puder, na terra de preferência. Em casa massageie seus pés com um creme depois de um longo dia de trabalho.
3-                               Mantenha contato com a natureza; tenha em casa ao menos um vaso de plantas. Cuide dele com carinho. O amor que dedicamos às plantas e animais acalma o ser humano e funciona como relaxante natural.
4-                               Ouça musicas que o façam cantar e dançar. Seja qual for o seu estilo preferido, a vibração de uma canção tem o poder de nos fazer sentir vivos, aflorando a nossa emoção e abrindo o nosso canal de alegria. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, e que o medo te impeça de tentar.
Liberte-se!!! Sempre que puder livre-se da rotina e pegue a estrada, nem que seja por um único dia.
Conheça novos lugares novas pessoas.
Viva a vida!!!
Gaste mais horas realizando do que sonhando, fazendo do que planejando, vivendo que esperando porque,
Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
O medo nos afasta das derrotas... Mas das vitorias também!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um dia você aprende… – Willian Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e, por isto, você precisa estar sempre disposto a pedoá-la.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos foram a nossa própria família que nos permitiu conhecer. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os amigos mudam (assim como você), perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos; aprende que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que se pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto. Aprende que não importa até o ponto onde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.
Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados, ou analisados.
Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se. (…) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais longe – mesmo após ter pensado não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor perante a vida.

Willian Shakespeare

quarta-feira, 6 de julho de 2011

De Samhain a Oimelc - Por Esses da Serpente

Hoje vi um feixe de sol iluminando um mínimo broto de um arbusto seco. Entendi o que vinha sentindo. Morrigan em sua plenitude invernal começa a se despedir. É a vez de ela morrer e se recolher (eu já morri, mais uma vez). Começa a levar seu reinado para deixar o reinado de Briga vir. A terra antes morta/adormecida recebeu as sementes em seu ventre e os guardou na escuridão. Logo o fogo de Briga, que começa a aquecer a terra trará à tona a vida, fará vivificar as flores, trará a forja de nossas vidas, a cura de nossas feridas e nos banhará em AWEN!
Que a terra desperte lentamente de seu sono ainda sob os domínios de Sanhaim, para fazer as cabras balirem em Oimelc. Jorrem seu leite na terra! Ganhem vida! Saiam de nossos sonos frios aos poucos e vejam na beira da caverna os raios do sol querendo, petulantes, aquecer as sementes explodindo-as. É hora de tomar força para as flores. Morrigan, agradeço pelo Sanhaim e a morte de nossos egos e fraquezas, me tornaste um guerreiro mais forte. Briga, seja bem vinda, seu fogo que aquece, sua cura que me renova, seu awen que me inspira. Minha espada está flamejante para continuar o caminho, banhada pelo sangue de Morrigan e brilhante com o Awen de Briga!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Nascimento de Cúchulainn - Por Corujão

Dechtire a mãe de Cúchulainn estava sentada à sua festa de casamento prestes a se casar com o chefe de Ulster Sualtam. Quando uma mosca pousou em sua taça de vinho. Ela bebeu o vinho sem perceber e caiu em um sono profundo.  Lugh, o deus da luz lhe apareceu num sonho e lhe revelou que ele era a mosca que ela havia engolido. Ele transformou Dechtire e as suas cinqüenta donzelas que serve em um bando de pássaros, e todos eles desapareceram sem deixar rasto.

Muitos meses depois, os Guerreiros de Emain Macha estavam caçando, quando notaram um bando maravilhoso de lindos pássaros, então eles decidiram dar caça a estas aves. Eles seguiram em seus carros por um bom tempo até que a escuridão caiu, e eles descobriram que haviam chegado Brugh nd Boyne o lar dos Deuses e Deusas. De repente, viram uma sala grande, de tal magnificência que nunca conseguia se lembrar de ver antes.

Um homem alto e bonito cumprimentou-os e convidou-os dentro de alguns alimentos e bebidas. Quando entraram, viram uma linda mulher com suas cinquenta donzelas servindo sentado à mesa, que estava carregado com a festa mais suntuosa que já tinham posto os olhos. Quando tinham acabado de comer e beber eram oferecidos leitos para a noite e devidamente aposentado. No entanto o sono foi quebrado pelo choro de um bebê recém-nascido no meio da noite.

Quando acordou seu hospedeiro revelou que ele não era outro senão Lugh, o Braço-Longo e que a mulher é Dechtire meia-irmã do rei Conchobar mac Nessa , e que ela tinha acabado de dar à luz um filho que era para ser levado de volta para Emain Macha e criado na corte e treinado nos caminhos do guerreiro. Assim, os guerreiros escoltado Dechtire, seu filho e as suas cinqüenta donzelas de volta à Emain Macha, onde houve muita alegria em seu retorno seguro. Sualtam recebeu ela e seu filho em sua casa e cuidou do menino como a sua própria carne e sangue, e ele foi nomeado Setanta, posteriormente conhecido como o herói Cúchulainn

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Deusa da Guerra e o Herói de Ulster


Falando em Morrigan, não poderia deixar de citar sua belíssima história com o Herói de Ulster Cuchulainn.


Morrigan e Cuchulainn - Por Corujão



Morríghan também surge com grande importância na saga do maior herói irlandês: o guerreiro Cu Chulainn. Cuchulainn é um herói do "Ciclo de Ulster", uma das mais antigas coleções irlandesas de lendas heróicas. Ele era um mortal, nascido para morrer, separado dos demais por características curiosas e anormais e destinado desde o princípio a um estranho destino.

Cuchulainn era o que tinha sete pupilas em cada olho, sete dedos em cada mão e sete dedos em cada pé. Suas bochechas eram pintadas de amarelo, verde, azul e vermelho. Seus cabelos eram escuros na raiz, vermelhos no meio e loiro nas pontas. Seguia carregado de adornos: cem enfiadas de jóias na cabeça e cem broches de ouro no peito. Essa era seu aspecto em tempo de paz e que aparentemente era muito admirado.

Quando era possuído pelo frenesi da guerra, mudava completamente. Girava dentro da sua pele, de modo que seus pés e joelhos ficavam para trás e as panturrilhas e as nádegas ficavam na frente. Seus compridos cabelos ficavam eriçados e cem cada fio ardia uma faísca de fogo, uma labareda surgia de sua boca e no centro da cabeça brotava um arco de sangue negro. Um olho lhe caía até a altura da bochecha e o outro entrava no crânio; em sua fonte brilhava "a lua do herói". Seu frenesi era tão grande que tinham que submergi-lo em três tinas de água gelada para que pudessem fazê-lo retornar a sua temperatura normal.


Ainda menino, a força de Cuchulainn era enorme, pois aos sete anos matou o feroz cachorro de Cullan, o Ferreiro. Para expiar sua ação, se ofereceu para tomar o posto do cão e guardar o Ulster. Trocou o nome de batismo de Setanta para Cuchulainn, "Cão de Cullan" e guardou Ulster até sua morte.
Cuchulainn encontra-se pela primeira vez com Morrigan ainda menino, quando caminhava por um campo de batalha para encontrar o rei e seu filho.
A Deusa sobrevoa o campo em forma de corvo e faz troça dele dizendo:
-"Aquele que se sujeita a fantasma, não dará um bom guerreiro".

Cuchulainn por ser tão jovem, não reconhece a Deusa, mas percebe que está recebendo um incitamento à valentia.
O próximo encontro dos dois se dá quando Cuchulainn tenta retardar a chegada do exército da rainha Maeve. Desta vez, Morrigan surge na forma humana, apresentando-se como uma bela e sedutora jovem, dizendo-se apaixonada e disposta a casar com ele e compartilhar toda sua fortuna. Demonstrando obstinação por sua jornada heróica, ele a recusa. Não se deixou, portanto, envolver com a sutil sedução do seu inconsciente, para permanecer no âmbito que lhe era conhecido e familiar. Para Cuchulainn, ele deveria suportar o fardo da solidão. E, muito embora Morrigu continue insistindo, dizendo que poderia ajudá-lo em combate, ele responde:
-"Eu não vim até aqui por causa de um quadril de mulher."

Com essas palavras, traçou seu trágico destino, pois imaginava que seu pior inimigo estava à sua frente e, no entanto, o inimigo estava era dentro dele.
Em uma outra passagem, Cuchulainn, como guardador e protetor de Ulster, observa uma mulher que conduzia uma carroça. Ao seu lado caminha um senhor e uma vaca presa por uma corda. Ao abordá-los, indaga ao homem como conseguiram a vaca. Quem responde é a mulher e ele irritado retruca:
-"Uma mulher não deve responder por um homem."

Volta-se novamente ao homem e pergunta seu nome. A mulher volta a responder por ele e Cuchulainn, totalmente fora de controle salta em cima dela e aponta a lâmina de sua espada para a cabeça da mulher. Nervosa, ela explica que recebera a vaca como presente por ter recitado um belo poema e que recitaria para ele se saísse de cima dela. Cuchulainn ouviu a declamação dos versos e quando se prepara para voltar a atacar a mulher, percebe que a carruagem e a mulher haviam desaparecido e em seu lugar ficou um corvo pousado em um galho que lhe diz que está ali "guardando a sua morte". Dessa vez, têm consciência que é a própria Deusa Morrigan e que ela veio avisá-lo que sua morte é iminente.

Em um combate que se seguiu contra os soldados de Connacht, Cuchulainn foi atrapalhado por diferentes animais: primeiro uma vaca, depois uma enguia, e por fim uma loba. Todos os animais foram feridos com a espada de Cuchulainn, mas na verdade, todos eram Morrigan. Para curar-se das feridas, teve que disfarçar-se de anciã e pedir à Cuchulainn que ordenhasse sua vaca mágica. Ao receber das próprias mãos do herói três bocados do leite da vaca curaram-se de todos os ferimentos.

Antes de uma nova batalha contra os guerreiros de Connacht, Cathbad e Cuchulainn passeavam a margem do rio, quando avistaram a "Lavadeira do Vau", um tipo de mulher-fantasma que freqüenta as margens dos rios e arroios, chorando e lavando as roupas e as armas sujas de sangue, dos guerreiros que morrerão em combate.
Cathbad diz então:

-"Você vê Cuchulainn, a filha de Badb lavando seus restos mortais?" É o prenúncio de sua morte! Entretanto, Morrigan, talvez comovida com o trágico fim de Cuchulainn, desaparece com a carruagem de combate enquanto ele dormia. Mas nada o impedirá de ir de encontro ao seu já traçado destino.

No dia seguinte, no fervor da batalha, Cuchulainn gravemente ferido, amarra-se ao pilar de uma pedra e segue lutando. Quando está próximo da morte, Morrigan aparece pela última vez, agora como um corvo que pousa no ombro do valente herói e depois com um movimento ele salta para o solo, onde jazem as vísceras do corpo de Cuchulainn. Aparentemente inconsciente, ele não reage, até que ao caminhar entre as vísceras, o corvo tropeça, arrancando assim um sorriso do moribundo. Esse sorriso é seu último suspiro.


É sintomático que, em seu último momento juntos Morríghan e Cuchulainn tenham agido da mesma forma que sempre agiram, um aparentemente prejudicando o outro, mas na verdade interagindo em nome da força que os unia.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Morrigan... Morte e Vida, Sexualidade e Amor, Guerra e Magia.

Achei interessante postar o texto abaixo, pois ajuda a esclarecer alguns pontos sobre os Deuses Celtas. Para que eles possam ser diferenciados de Deidades de outros panteões. Os Deuses celtas tinham suas próprias características, não há como equiparar ou classificar nenhum deles. São seres divinos com vontades próprias. Esse texto mostra isso belissimamente. Afinal, porque a Deusa da Guerra, também não pode ser a Deusa do Amor???

 

Deusa do Amor e da Magia - Por Corujão



Na mitologia celta em contrapartida as outras culturas não definiam apenas uma Deusa para representar o Amor, outra a Beleza ou a Magia. Esses atributos são características implícitas praticamente em todas as Deusas do panteão celta. Temos Briga que é representada nas histórias como uma mulher  de radiante luz e beleza, além de ser ferreira produzindo armas mágicas e poetiza que com seus versos tocava o coração de qualquer ouvinte. Cerridwen, senhora do caldeirão sagrado que ferve noite e dia para obter a sabedoria ao seu filho Morfran já que esse não possui beleza. Blodeuwedd deusa de extrema beleza, da sedução e da magia.

De todas as Deusas presentes na mitologia a mais fascinante em reunir todos esses atributos acredito que seja Morrigan. Ela é a Deusa da Morte, da Vida, da Senxualidade, do Amor, da Guerra e da Magia. Nas lendas era invocada quando os soldados celtas entravam em batalha e a própria Morrigan vinha buscar aos tivessem feito atos de extrema bravura. Para os celtas a morte não era o fim, mas o começo de um Outro Mundo, início de um novo ciclo.


Morrigan e Dagda

 Na primeira batalha de Moytura, Morrigan tem sua aparição sitada como “As filhas de Emmas” - Morrigan, Badb e Macha,  atacando os Fir Bolg com banhos de magia e nuvens tempestuosas e névoa, e poderosas chuvas de fogo e um jato de sangue derramado do ar sobre as cabeças dos guerreiros inimigos. Uma descrição perfeita do se pode esperar de deusas da guerra em ação. Ao assistir a fúria com que a guerra era travada, o bardo dos Fir Bolgs diz que Badb, que significa “corvo”, ficará grata pelos corpos perfurados deixados no campo de batalha.
Na véspera da Segunda Batalha de Moytura, Dagda encontra Morrigan no vau do rio Unshin, lavando as armas ensangüentadas e os cadáveres dos que viviam a tombar  no dia seguinte.

A Deusa então dá a Dagda informações sobre o combate, revelando seus dons proféticos. Igualmente, dá provas de coragem e poder quando afirma que ela mesma arrancará o coração do seu inimigo. Em pagamento, Dagda sacia seu apetite sexual, unindo-se a ela ali mesmo, em meio aos cadáveres que morrerão, enfatizando a íntima ligação entre a vida e a morte.
A união entre uma deusa "sombria" com Dagda, deus que traz vida e fartura, é a perfeita imagem do equilíbrio - especialmente por ocorrer no entremeio de água e terra (o vau), dia e noite (crepúsculo), ano velho e novo (Samhain). Nesse momento, Morrígan representa a Soberania da terra, e Dagda o legítimo líder que a desposa. Dessa união surge a vitória dos Tuatha Dé Danann.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sapinha Informa: A Cailleach - Por Corujão

                                                                                                                                                                     Por Marcela Badolatto

A Cailleach é uma das mais importantes e mais imponentes deidades dentro da mitologia das regiões gaélicas da Escócia. Mas ela é também uma figura complexa e inconstante, sendo por vezes mais adequado referimo-nos a ela como parte de um conjunto de divindades ou espíritos destrutivos denominados Na Cailleachan, também conhecidas como “As Bruxas da Tempestade”.
A palavra cailleach significa “anciã” e deriva do Irlandês Antigo, caillech, véu (em irlandês atual, caille), o que evidencia uma proximidade ou mesmo derivação do latimpallium, cujo significado também é véu. Essa possibilidade é corroborada pela tendência das línguas gaélicas de trocar o ‘p’ pelo ‘c’ em palavras estrangeiras.


No antigo poema irlandês, Aithbe dam Bés mora ou ‘O Lamento da Anciã de Beare’, uma figura que podemos facilmente identificar com a Cailleach fala:


(…) sech am tróg, am sentainne.
Ní feraim cobra milis;
ní marbtar muilt dom banais;
is bec, is líath mo thrilis;
ní líach drochcaille tarais.
Ní olc lim
ce beith caille finn form chinn;
(…)

Não sou apenas miserável, mas sou uma velha
Não falo palavras adocicadas,
carneiros não são abatidos
para o meu casamento,
meu cabelo é escasso e cinzento,
ter um pobre véu sobre ele não causa desgosto.
Ter um véu branco em minha cabeça
não me causa tristeza.



A origem da palavra cailleach como “velada” pode ser um indício de sua associação com a imagem da freira. Na Irlanda antiga esse era um termo que trazia uma forte conotação de uma mulher que nunca se casou ou que se casou com Cristo, e com a ascenção do cristianismo as personagens mitológicas e dedidades pagãs foram sendo transformadas e adaptadas para serem aceitas pela nova religião. Em contrapartida, em áreas mais remotas, a cultura gaélica preservou a figura da Cailleach como deusa e regente do inverno, e a associação dela com o véu é muito mais significativa em sua imagem originalmente pagã: a imagem de uma velha feiticeira. No folclore escocês, ela é retratada como uma mulher muito velha, enorme, com um só olho, penetrante e afiado como o gelo, a pele escura, azul, os dentes vermelhos como ferrugem, os cabelos brancos e um véu sobre eles. Todas suas roupas eram cinzentas e ela jamais era vista sem seu manto malhado sob os ombros.

A Cailleach é uma divindade associada às forças mais brutais e destrutivas da Natureza, especialmente às forças do Inverno e da tempestade. Seu titulo mais conhecido é Cailleach Bheur. Este epíteto nos dá algumas possibilidades de interpretação: a palavrabheur é o genitivo de beur, cujos significados são “pontiagudo, afiado” assim como “claro, limpo”. É também a palavra para pico ou local de grande altitude. Esses significados ligam-se diretamente aos aspectos invernais dessa divindade, às características do gelo, da neve e das tempestades. A Cailleach também é, dentro das sobrevivências culturais, a construtora das montanhas e colinas, conectando-a, assim, aos lugares altos.
Outra possibilidade da etimologia do nome Cailleach Bheur encontra-se no registro mais antigo sobre ela, o já citado Aithbe dam Bés mora, O Lamento da Anciã de Beare. Esse poema, datado, aproximadamente, do ano 800, mostra a grande influência e passagem da mitologia irlandesa para as regiões da Escócia com a instalação do reino de Dál Riada. O título Anciã de Beare é, em irlandês antigo, Caillech Bérri, um possível cognato deCailleach Bheur.


 

Apesar de este ser seu nome mais difundido, ela é conhecida por muitas outras denominações em diferentes regiões. Na maior parte da Escócia, especialmente nas Highlands, ela é chamada Beira, Rainha do Inverno, enquanto que na lenda irlandesa, ela intitula-se Buí. Em algumas partes da Escócia é também chamada Mag Moullach e nas Lowlands de Gyre-Carline, sendo carline a palavra do Scots que corresponde a ‘mulher velha’. Na Ilha de Man é chamada de Caillagh ny Groamagh, Anciã Sombia, e Caillagh ny Gueshag, Anciã dos Feitiços, e é tida como um espirito da tempestade e do inverno, que aparece que no dia 1 de Fevereiro prenunciando como será o restante do ano. Um dia ensolarado denuncia que o ano será de má sorte. Na Escócia, a primeira colheita é dita como abençoada e a última amaldiçoada, recebendo o nome de a’chailleach. Outro nome interessante que ela recebe pelos habitantes da costa noroeste é Gentil Annie. Um apelido que pode ser sarcástico ou apaziguador, já que os pescadores atribuem a ela os ventos furiosos do começo da primavera.
Mas tradicionalmente a Cailleach não é apenas uma divindade destruidora. Como todas as deidades celtas, ela não possui um único aspecto ou função, mas uma multiplicidade. Sendo assim, a Cailleach é também uma deidade criadora. Tradicionalmente, ela é conhecida como sendo a mãe de todos os Deuses e Deusas, e também a responsável pela criação dos lagos, rios, montanhas e colinas. Uma das histórias antigas sobre a formação de alguns loch escoceses conta que Beira, Rainha do Inverno, tirava água todos os dias de uma fonte em Ben Cruachan, na região de Argyll. Todos os dias, ao nascer do sol, ela destampava a fonte e depois a tampava de novo quando o sol se punha. Um certo dia, por descuido, ela esqueceu-se de tampar a fonte e a água transbordou e jorrou, descendo pelas montanhas, rugindo como um mar furioso. E foi assim que veio a nascer o Loch Awe. Em outra ocasião, uma de suas empregadas, chamada Nessa, ficou responsável por destampar e tampar outra de suas fontes, localizada no condado de Inverness. No entanto, uma certa tarde, a moça de atrasou para cobrir a fonte e, quando ela aproximou-se, as águas saltaram em sua direção, fazendo-a correr por sua vida. Beira, sentada em Ben Nevis, a montanha que era seu trono, sentenciou: “Você negligenciou seu dever. Agora você correrá para sempre e nunca deixará a água.” A moça, então, transformou-se no Rio Ness e desembocou no meio de duas montanhas, formando assim o Lago Ness.

A criação das duas montanhas que rodeiam o Lago Ness também foi atribuída à Cailleach. Uma das razões pelas quais Beira construía as montanhas era para servir-lhe como degrau, por seu enorme tamanho. Outra razão era para servirem de casas para seus filhos gigantes, que eram chamados de Fooar, um possível cognato do irlandês Fomóiri. Os Fomóiri são uma tribo de Deuses usualmente ligados ao mar, mas existem também fontes onde são associados a torres de vidro, que podemos interpretar como uma metáfora para os icebergs. Alguns deles, como Indech, um de seus reis, são ditos como filhos da deusa Domnann, posteriormente chamada de Domnu, uma figura obscura e pouco citada no Lebor Gaballa Érenn, o manuscrito que conta a chegada dos deuses à Irlanda e um dos textos mais importantes da mitologia irlandesa. Embora não haja muitas evidências que digam ter sido De Domnann mãe de todos os Fomóri, a relação entre ela e a Cailleach reforça-se ao vermos ambas como divindades primordiais que regem as forças naturais mais selvagens e indomáveis.




O fato de ela receber o nome de Gentil Annie também nos permite fazer algumas associações interessantes. A Cailleach é conhecida como a mãe dos Deuses e Deusas. Uma idéia muito difundida é que, dentro da mitologia irlandesa, esse papel seria atribuído a Dana ou Danu, como deusa progenitora das divindades da tribo, os Tuatha Dé Dannan. No entanto, nos estudos dos textos irlandeses uma confusão costuma ser feita entre os nomes Dana e Ana. O nome Dana é uma especulação a partir do possessivo Dannan, não aparecendo como mãe dos deuses no Lebor Gaballa Érenn, nem em nenhum outro manuscrito. Por outro lado, em algumas versões, a figura que aparece como a mãe dos Deuses, é Annand, que o Lebor Gaballa Érenn aponta como sendo o nome da Mórrighan, já que An Mórrighan, de acordo com a maioria dos estudiosos, significa A Grande Rainha (do Irlandês antigo mor, ‘grande’ e ríogain, ‘rainha’), o que se encaixaria melhor como título, não como nome. O Lebor também indica como sendo dela as Dá Chích Anann, as Tetas de Ana, duas colinas redondas localizadas na província do Munster, o que a liga com as montanhas e colinas.

As características em comum entre a Cailleach e a Mórrighan são bastante fortes: a ligação com o tempo de morte, escassez, mas também com a força do nascimento. As figuras aproximam-se, inclusive, na descrição física, especialmente quando observamos o seguinte trecho do final da Batalha de Mag Rath:
“Sobre sua cabeça guincha
Uma bruxa magra, rapidamente pulando
Sobre a posição das armas e escudos;
Ela é a grisalha Mórrighan.”


Entretanto, em outras redações do Lebor, a deusa que é tida como mãe dos Deuses é Brigit, conhecida na Escócia como Brìde. Interessante notar que na mitologia escocesa, a maior parte das lendas relata Brìde e a Cailleach sempre em oposição. Enquanto a Cailleach rege o período escuro do ano, Brìde rege o verão e os dias claros. No entanto, algumas outras lendas as retratam como sendo a mesma.
O mito conta que ela nunca morria de velhice, pois todo começo de primavera ela bebia as águas mágicas da Fonte da Juventude nas Ilhas Verdes do Oeste. Algumas versões falam que ao beber dessa fonte, ela tornava-se uma jovem de cabelos loiros, bochechas rosadas e olhos azuis, vestindo o manto verde das pastagens e coroada com as mais diversas flores. Isso não explica apenas a possível identificação dela com Brìde, mas mostra, principalmente, a capacidade de regeneração dessa deidade e sua profunda ligação com os ciclos sazonais.

Nas regiões mais rurais da Escócia ela é celebrada em seu festival, o Latha na Cailliche, que ocorre por volta de 24 ou 25 de Fevereiro, visto como o dia em que seu reinado de inverno termina, dando lugar ao reinado de verão de Brìde.



quinta-feira, 2 de junho de 2011

O que eu desejo pra você

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fieis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente.
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista
em rejuvenescer
E
que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à  sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas são feita uma arvore.
Desejo, outros sim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.


Vinicius de Moraes

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pelo menos um dia

Logo passa... Tudo passa
Hoje seja você a aventureira
Não caia na depressão
Olhe a sua volta existe vida em torno de você

Seja ousada
Abra a porta e saia também
Procure não pensar
Aja apenas com o coração
Esqueça um pouco a razão

Não deixe que tudo isso te prenda
Mesmo que esteja chovendo
Saia... Você não vai derreter
Não é feita de açúcar
Mesmo sendo um doce

Surpreenda a si mesma
Mude sua rotina
Faça você a sua historia
Escreva você sua vida
Seja mulher... Seja louca
Pelo menos um dia


Poema as Bruxas
Sorrir... Me faz jovem
Lembranças... Me deixam viva
A realidade... Me faz humana

domingo, 22 de maio de 2011

A Rã

Coro de cor
Sombra de som de cor
De mal me quer
De mal me quer de bem
De bem me diz
De me dizendo assim
Serei feliz
Serei feliz de flor
De flor em flor
De samba em samba em som
De vai e vem
De verde verde ver
Pé de capim
Bico de pena pio
De bem te vi
Amanhecendo sim
Perto de mim
Perto da claridade
Da manhã
A grama a lama tudo
É minha irmã
A rama o sapo o salto
De uma rã

domingo, 8 de maio de 2011

SAPINHA INFORMA: SAMHAIN - Por Corujito


Depois de Lughnasadh, os dias vão ficando mais escuros e a brisa do fim do dia mais suave e frio. Da janela vejo os agricultores colhendo o arroz, o cheio da palha amassada com o lodo, remete a uma nostalgia e a lembrança que um novo ciclo se inicia.


No rosto do agricultor, está estampado a máscara do trabalho árduo para colher o alimento do ano que está por vir, a bem aventurança de uma colheita farta e a garantia de mais um ano feliz com a mesa farta.

Os dias passam e a noite escura avança, deixando para trás em apenas uma lembrança a luz de Bel e o calor de Briga, dando espaço aos domínios da escuridão, do frio e da introspecção. É tempo de saudar o fogo sagrado que se alimenta na lareira deixando no ar o aroma da madeira lambida pelas labaredas e a fumaça traz à memória os tempos passados, as experiências vividas e a recordação dos entes distantes ou falecidos. Sorrisos se misturam com lágrimas a cada recordação, resgatando o amor e renovando dos votos e laços de sangue que unem o espírito e a todos da família.


Morrighan com o seu ar sombrio e sereno nos remete a reflexão de nossos atos, ao aprendizado e experiências vividas, os erros e aos acertos, as quedas e as vitórias, triunfos da jornada percorrida, para o guerreiro que passou um ano cheio de lutas e se resguarda para renovar as energias para as batalhas pessoais que estão por vir, outros acreditam que já viveram todas as batalhas necessárias dando as mãos a Grande Rainha para a sua jornada invernal.

É tempo de saudar os mortos, prestar homenagem aos ancestrais deixando a mesa o espaço de direto, demonstrar o respeito pela sabedoria oferecida e a acolhida em uma noite tão singular. Nesse pequeno gesto há a reverencia aos ancestrais mortos e a firme convicção que não há distinção entre o mundo visível (humano) e o invisível (dos mortos). A hospitalidade ensinada pelos antepassados ultrapassa a recepção permitindo que espíritos não convidados participem dos festejos, não deixando de serem bem recebidos e todos tratados com respeito.

Os portais do Sìdhe estão abertos, a cada fenda na terra as fadas invernais sobem a superfície para se juntarem aos festejos humanos. A fogueira que aquece a carne infla os olhos, alimentando o espírito de esperança. Nela são jogados os objetos que representam a esperança e o sofrimento da clan, símbolos de renovação e cura. As feridas nesse momento cicatrizam-se rejuvenescendo a promessa feita, aquecendo o coração partido e a busca de novos objetivos e itentos. O corvo gralha lá fora, reclamando pelo alimento, pelas oferendas dadas num gesto de agradecimento, lembrando-nos do nosso lado sombrio, a terra úmida e lodosa que criamos com os nossos pensamentos fúteis e sombrios, levando-nos a introspecção e a reflexão de nossos atos. Uma viagem sem igual aos caminhos do inconsciente, do lado sombrio que espreita o Bruxo, ao inimigo eterno e seu melhor companheiro.

Após passar por seu campo de sorte e infortúnios, o guerreiro colhe o aprendizado necessário e a noite passa, dando espaço a luz novamente, lembrando-nos que após a noite escura e sombria, sempre há o retorno de Bel com sua face brilhante e o conhecimento transmutado em sabedoria.



Autor: Corujão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Domínios

Já tentaram me dominar de vários modos.

Já tentaram domar as minhas mãos,
com esmaltes brancos, francesinhas e florzinhas.

Já tentaram domar os meus cachos,
com escovas, chapas e mechas californianas.

Já tentaram domar os meus seios,
dizendo que eram grandes, caídos, desproporcionais.

Já tentaram domar o meu ventre,
com lipos, plásticas e abdominais.

Já tentaram domar o meu sexo,
ordenando-me como fazer, com quem e quando.

Tentaram então controlar meus pensamentos,
dizendo-os impuros, imprópios, impertinentes.

Não satisfeitos, disseram que era errado ser mulher.
Que a mostras maior do poder feminino era vermelha demais,
suja demais,
demorava demais.
Dava câncer.

Forçaram-me a acreditar em algo sem sentido,
a ter fé em ser fálico, masculino, diferente de mim.

Colocaram-me numa fôrma e disseram:
trabalhe desse jeito
aja desse jeito
seja desse jeito....
Ora, deixem-me!
  
Eu faço o que quero
trabalho como quero
me visto como quero
vou aonde quero
transo com quem quero
amo quem quero
penso o que quero
falo o que quero
sou o que quero!

Não me venha com frases-feitas,
provérbios antigos,
pensamentos estagnados
dogmas inabaláveis
piadas de mau gosto diminuindo o meu gênero.

Sou fogo e água, antiga e jovem
Venho do Norte, trazida pelos ventos do Sul
Minha vida é a eterna dança
no caldeirão de possibilidades
que criei para mim mesma.


Olivia Frade Zambone

domingo, 1 de maio de 2011

MORRIGAN

Morrigan (Morrigane/Morrigu), filha de Étrange (Ernmas), é a Senhora do fim e da morte, tendo como animal representativo um corvo. Uma das grandes deusas da tribo dos Thuatha Dé Danann.
Narrada como uma magnífica e sensual mulher com cabelos negros que vão até a cintura, por vezes vestidas com a cor vermelha como o sangue e com uma pena negra presa em suas tranças. É a imagem tradicional de uma deusa da guerra, da sexualidade e da magia, estando estes três domínios indubitavelmente associados à tradição celta em que os guerreiros recebem duma mulher a iniciação sexual, mágica e guerreira. Reinava sobre os campos de batalha e  junto com suas irmãs Badb e Macha eram conhecidas pelo nome de " Três Morríghans" relacionadas a triplicidade que para os celtas, significava a intesificação do poder. Associada aos corvos, ao mar, as fadas e a guerra, além da associação à Maeve, rainha de Connacht, casada com o rei Ailill e a Morgana, das lendas arthurianas. Um bom exemplo destas características é quando Lugo (Lugh) pergunta para Morrigan qual seria a sua contribuição para derrotar os exércitos dos Fomoire (dentro da segunda grande batalha de Mag-Tured) ela responde: "Não te preocupes: tudo o que eu quiser alcançarei, graças ao poder dos meus feitiços. A minha arte aterrorizará de tal modo os Fomore que a planta dos seus pés ficará branca, e os seus maiores campeões terão uns a seguir aos outros devido à retenção da urina. Quanto aos outros guerreiros, fá-los-ei ter tanta sede que ficarão enfraquecidos, e farei com que todas as fontes fujam deles de modo a não poderem matar a sede. E enfeitiçarei as árvores, as pedras e as elevações de terra de tal modo que, confundindo-as com contingentes de homens armados, os inimigos nelas se perderão cheios de terror e de pânico".
Nos mitos relacionou-se com Dagda e apaixonou-se pelo grande herói celta, CuChulainn, que despertou toda sua fúria, ao rejeitá-la. Deusa da morte e do renascimento, da fertilidade, do amor físico e da justiça.

Em honra a Morrighan...



Morrigan - Omnia

Sobre morros e sobre prados
Veja o corvo voar, sinto a sua sombra
Sobre bosques e sobre montanhas
Procurando por uma guerra


Suas asas abraçam cada luta e batalha
Onde espadas se confrontam e carros batem
Buscando a aquele em cujo tempo
Chegou a ter a lâmina


Morrigan antiga anciã da guerra
Eu vejo seu rosto, eu não vou chorar mais
Morrigan antiga anciã da guerra
Venha me levantar em suas asas


Morrigan antiga anciã da guerra
Eu ouço sua voz, eu não respiro mais
Morrigan antiga anciã da guerra
Venha libertar meu espírito


Mate por Morrigan
Mutile por Morrigan
Lute por Morrigan
E você vai
Destruir por Morrigan
Morrer por Morrigan
Morrigan antiga anciã da guerra

domingo, 24 de abril de 2011

QUEM NUNCA FOI VILÃO?


Todos têm certo potencial para ser vilões. Basta uma frase equivocada, não responder a algumas ligações, não corresponder às expectativas dos outros. Pode ter certeza. Você já foi a pessoa má, insensível e ingrata da vida de alguém mesmo sem querer.
Relacionamentos novos só começam porque antigos terminaram. E para quem se sente excluído dessa regra, pode parecer que foi você quem praticou o ato de vilania. Pense nos foras que você já deu, nos amigos que decidiu não ver mais e nas mensagens que nunca respondeu.
Nem sempre somos os mocinhos de nossa própria historia. Na incansável busca pelo “conto de fadas”, a fim de encontrar o príncipe encantado, é impossível não pisar em alguns sapos, mesmo que seja sem querer. Isso não significa que sejamos mau caráter.
Mas reconhecer que podemos virar persona non grata para alguém é o que faz reavaliar o papel de vilão. Talvez aquela bruxa (sem ofensas rs) que lhe faz mal seja apenas alguém inseguro e mau-amado, em busca de auto-afirmação. E não digo isso apenas no lado sentimental das coisas. Sempre tem alguém impedindo algo em nossa vida, seja no trabalho, em casa, neste ou em outro mundo. Mas se formos nos auto-analisar, também somos os bruxos causadores de maus agouros de muitas pessoas, literalmente! rs.
E é justamente nesse momento em que o sapatinho de cristal se quebra e vira um chinelo de dedo. Com os pés no chão, fica fácil compreender que nem tudo tem um “final feliz”, que é impossível satisfazer todo mundo, e que esses temidos vilões são pessoas tão comuns, quanto eu e você.
Então, vá à luta! Não deixe que qualquer um estrague seu dia, que te desmereça ou te acovarde. Na verdade, não deixe que ninguém faça isso a você. Sua auto-estima, seu intento e sua coragem são suas armas mais poderosas e duvido que qualquer vilãozinho queira ir contra sua vontade.

Bj

Sapinha

terça-feira, 5 de abril de 2011

Agradecimentos


Passei para compartilhar com vocês um pouco da minha alegria. Hoje, o dia foi super produtivo e estou aprendendo coisas novas no novo emprego. Minha função não é das mais ativas. Afinal, não se pode esperar que um sapo coaxe todo o tempo, certo? rsrs. O dia amanheceu tão límpido e radiante que não consegui achar ruim em matinar e a Lua agora tão sedutora aqui de minha janela... não nego que o dia foi abençoado!
Então já que tão abençoada estou sendo, quero também agradecer. Agradeço a natureza por se manter viva, enquanto muitos tentam destruí-la. Agradeço a todos que confiaram e acreditaram em mim, quando eu já havia desistido de lutar. Agradeço aos Deuses que me mostraram o caminho. Agradeço a minha família e a vocês meus irmãos, por me ajudarem a guerrear. E porque não agradecer a mim mesma??? Me agradeço por me manter serena, persistente e confiante, pois sem isso e principalmente sem minha família e sem meu CLAN, não seria capaz de ir em frente. 

Que Lugh continue nos abençoando.

Obrigada!

Bjus
Sapinha

sábado, 2 de abril de 2011

ACIMA DE TUDO... SORRIA!

Sorria Mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é. Sem medo.

Existem pessoas que sonham. Viva. Tente. Felicidade é o resultado desta tentativa. Ame acima de tudo. Ame a tudo e a todos. Não faça dos defeitos uma distância e, sim uma aproximação.Aceite. A vida, as pessoas. Faça delas a sua razão de viver. Entenda os que pensam diferentemente de você. Não os reprove.

Olhe à sua volta, quantos amigos... Você já tornou alguém feliz? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?

Não corra... Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você. Sonhe, mas não transforme esse sonho em fuga. Acredite! Espere!
Sempre deve haver uma esperança. Sempre brilhará uma estrela. Chore! Lute! Faça aquilo que você gosta.
Sinta o que há dentro de você.
Ouça... Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante. Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo. Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.

Descubra aquilo de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente. Eu também vou tentar.

Acima de tudo Sorria...

quarta-feira, 30 de março de 2011

AUTOCONHECIMENTO

Examine com rigor, quais são as bases de sua religião (seja ela qual for), para que você possa afirmar algo! Não julgue um caminho, uma religião, tão antiga e tradicional, por aquela que você acredita e crê. Sei que muitos apenas então buscando seu autoconhecimento. Mas entendam meus caros, que é preciso saber distinguir uma religião da outra. Não saiam por aí afirmando ser quem você não é. Ou talves até seja dentro do ilusionismo por você criado. Mas não tente me obrigar a aceitar aquilo que você nomeia de tradição. Pois a Bruxaria que eu conheço e sigo com imenso prazer, essa sim é tradicional. Então não me venha falar de tradicionalidade se você mesmo não tem certeza do que fala. Não tem certeza de sua origem, de sua caminhada. Reflita. Busque as raízes de sua morada, e se realmente ela existir, daí então me procure e conversaremos com franqueza, clareza e acima de tudo, respeito. Venha de mente limpa e coração aberto. Se abra para a realidade, para a tradicionalidade e acima de tudo autoconhecimento. Porque meu caminho é límpido, respeitoso e acima de tudo belo. A Bruxaria pode não precisar de "conselho", mas muita gente precisa.
Sem mais,

Peregrina Nayele

sábado, 26 de março de 2011

Verde... como o tom da minha Túnica

É engraçado como algumas características antes tão indiferentes, agora se fazem presentes em mim. Sempre me chamou muita atenção trabalhos artesanais, de reciclagem e etc., mas me faltava entusiasmo. Hoje me sinto literalmente funcional quando extravaso minhas tão passivas energias no artesanato.  Sendo filha de Lugh, Deus das mil artes e túnica verde... não poderia ser diferente.

Nesta semana me empenhei em uma arte que a muito não praticava: o Bordado.
Foi um trabalho mais interno o que externo. A suavidade da linha, a precisão da agulha. Dúvidas, pouca companhia e muito trabalho. É incrível como a calmaria é capaz de nos fazer refletir. Nos interiorizar e nos fazer querer mudar, transformar.
Essa semana tem sido muito atípica. Muito mais do que aprendendo, estou ensinando. Transmitindo vivências que há um ano seriam desconhecidas para mim, e eu me perguntaria: Será mesmo possível?
Hoje afirmo com absoluta certeza, sim tudo é possível. Sim, você pode mudar, crescer e transmutar. Basta acreditar e intentar para que isso aconteça.

Tem sido uma semana de mudanças. De boas mudanças. Bons contatos e novos amigos.
Comecei a semana com uma limpeza e a muito não fazia. Limpei meu altar, fiz minhas oferendas, invocações e agradecimentos por todos os frutos bons que tenho colhido.
Recebi um presente, algo tão singelo, mas de tamanha importância. Uma flor de uma fada. Me senti feliz e lisonjeada.
Mais uma vez agradeço. Obrigada Mestre, pela singela e prazerosa tarefa imposta. Obrigada as minhas novas amizades, por me fazerem enxergar o quanto ainda tenho que transmutar. E um imenso obrigada, a esses seres feéricos, que tem trazido fluidez e leveza ao meu lar.




Me abrindo para a transformação...